Sex, drugs and complications

Apr 11 2014

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Feb 16 2014
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Jan 21 2014

Inquebrável.

A casca está ali, pronta para ser vestida. Igual a uma armadura, pronta pra me proteger e me fazer a ser como eu era antes, inquebrável.
Sim, eu era inquebrável. Vivia na minha casca grossa junto com o frio, não deixava ninguém entrar. No máximo vestia uns espinhos e ia visitar alguém e deixava sangue jorrando por todos os lados. Antes os outros do que eu. A forma como eu me protegia era linda, eu não ficava apenas na defesa eu atacava também, e tem defesa melhor que essa? Eu feria pra me proteger, quando via alguém ferido mesmo que não seja por mim eu deixava sangrar, no máximo mostrava a delícia do frio e oferecia uma lasca da minha casca para que o outro construa a sua, mas cuidar jamais! Que jorre sangue, que se abram feridas! Que se injete veneno, que sinta arder, que chega ao pútrido! Que seja forte! Forte como eu fui um dia! Hoje sou piada.
Hoje sou piada, ontem fui força. Ainda estou sangrando, fétida, fraca e miserável. Sou a pior piada, daquelas de sentar, rir e no final cuspir. Eu não contei né? Mas eu perdoei o calor, e ferido fui até ele. Chegando lá tive meus dedos cortados, ouvi risadas, e depois vi tudo escuro. O tão esperado golpe de misericórdia! Aplausos! Todos de pé por favor! Sim, toda a platéia lá estava. O último ato da tragédia grega mais assistida tinha chegado ao seu trágico (para mim) fim. Era um gran finale, com cara de arena gladiadora onde dois mortais num ato de brutalidade se ferem para defender suas vidas para entreter a realeza. Sim, éramos bobos da corte alimentando as línguas venenosas e cheias de sede de sangue, mas enfim…
Cá estava eu, destroçada e esvicerada. Meus restos não eram atrativos nem mesmo para os abutres. Eu definitivamente havia me tornado a escória da sociedade, uma piada.
E lá estava ela, opaca, rígida, singela, segura, gélida e escura. A minha casca, a casca que eu construí para me proteger. Estava faltando algumas lascas, mas nada que eu não pudesse reparar.
Só me restava duas opções, cuidar das feridas, mesmo estando exposta e desprotegida, deixar a porta do meu lar destrancada e disponível para novas visitas e possíveis feridas futuras ou carregar as feridas para a casca e me tornar inquebrável. As feridas estavam doídas demais, minhas lágrimas secaram depois de dias a fio de imensa dor e tristeza, e eu estava desacreditada dessa coisa de calor, eu só queria ser um gnomo e me encolher num canto.
A casca, só me restava então a segurança da casca. Pacientemente a visto, e o encaixe era quase que perfeito, e eu já me sentia melhor. Já dava pra dormir sem sentir dor, e sem vê-la transbordar pelos meus olhos. Já era possível a locomoção, mesmo que difícil. Faço alguns reparos na casca para voltar a ser inquebrável.
Serviu de lição, serviu pra glorificar a inércia, reforçar o não perder e deixar de ganhar. Me derrubou. Me reergueu. Me fez ser força de novo. Inquebrável.

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Jan 12 2014

Venho por meio desta dizer que o calor não passa de um covarde! Sim meus caros, um covarde. Em todos os meus escritos aqui sempre esteve claro que a vontade do calor era de ir embora. Sim, meus amigos o calor sempre quem toma a iniciativa de partir, e eu e meu frio como sempre solícitos a ele.

Meu coração está em paz, abri meu lar, deixei que ele fizesse pequenas mudanças para se sentir confortável, pintei a parede das cores que fossem agradáveis a seus olhos, mas mesmo assim ele quis sair. O calor foi embora. Eu não.

— Mesma, Eu

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Todas as vezes que o calor me feriu fiz disso aqui o retrato de toda a dor que eu senti. Em todas as passagens por aqui descritas sempre foi o calor que desistiu, não eu.
— Mesma, Eu

Dec 28 2013

But Derek, I love you. In a really really big pretend to like your taste in music, let you eat the last piece of cheesecake, hold a radio over my head outside your window, unfortunate way that makes me hate you… love you.

A cena mais linda de MerDer

(Source: bytheferriswheel, via rachelberryfabray)

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Dec 25 2013

O sombrio tem me chamado atenção, aquele gelado, solitário, cheio de amargura, dor tem me atraído bastante. Tão rochoso, medonho, sinistro, bonito, frio.
Lá você não é obrigado a ser feliz, ou fingir que está feliz. Lá não tem suor, e se houvesse estaria tão congelado quanto a água que havia nas geleiras, e nos córregos ao invés de água corre sangue. Sangue vivo, procedente de toda dor dos que ali habitavam.
Se bebia a dor, se alimentava dela para não nos fazer esquecer de tudo que nos feriu. Lembrar da dor faz sangrar, mas não abre uma nova ferida.
O sombrio era tão lindo e uniforme. Todo mundo com suas cascas grossas, ataduras, feridas abertas quase que apodrecendo devido ao estrago feito pelas belíssimas palavras do calor, e um lembrando ao outro de todo o estrago feito para não cair nas sedutoras garras do calor.
O calor não é mal, má são as consequências da entrada do calor. Calafrios, suor, insegurança, coração acelerado, boca seca, falta de confiança. O calor proporciona momentos lindos, mas as consequências são devastadoras. O amor, aliás, o calor é como uma faca de dois gumes com duas pontas bem afiadas prontas pra te dilacerar. Ao mesmo tempo que ele ameniza a dor, ele faz a ferida, mas voltemos ao sombrio…
Sombra em seu sentido literal é uma região escura formada pela ausência parcial da luz, proporcionada pela existência de um obstáculo. Para os psicanalistas é o lado sombrio do nosso ego, para outros pode ser vista de forma metafórica como responsável pela criatividade uma espécie de representação de um insight, mas para os sobreviventes da chacina do calor, e eu faço parte dela, a sombra é descanso, é frio, é calma. De qualquer forma fazer parte do sombrio tem sido mais que uma opção, tem sido apenas o que me restou. E quanto ao resto só nos sobra duas opções: reclamar do que restou, o que não vai mudar a situação, ou enxergar beleza na miséria.

Dec 22 2013
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